domingo, 18 de abril de 2010

VIAGEM

Viva

Vão-me desculpar, mas este poema é especialmente dedicado ao Virgilio, por continuar a lutar contra a maré.

Lá diz o ditado:

- "Quem cala consente"

E porque o Virgilio é dos que não ficam calados cá vai:

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar....
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos.)

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura....
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga - Poesia Completa II

E para todos um abraço do tamanho do mundo
Ana

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