sábado, 2 de outubro de 2010

HISTÓRIAS DE VIDA

Depois de uma noite de insónia, e de praticamente não ter dormido, a Eva acordou a chorar.

Na véspera tinha ido lanchar com uma amiga, a Marta, que lhe tinha dito que a achava muito triste e perguntado se estava com algum problema para além da crise em que todos estávamos mergulhados.

A Eva tinha-lhe respondido que os últimos meses não tinham sido nada agradáveis a nível profissional e para resumir tinha dito que se a desilusão matasse já teria certamente caído redondinha para o lado.

Enxugou as lágrimas para que a família não a visse naquele estado enquanto pensava no que tinha passado nos últimos meses.

Tinha aceitado um novo desafio profissional que se lhe tinha apresentado como a possibilidade de ter uma vida mais tranquila e sobretudo mais próxima de casa, o que lhe permitiria passar mais tempo com a família. Puro engano, ainda tinha menos tempo para a família do que quando trabalhava a centenas de quilómetros de Lisboa. Era "obrigada" a trabalhar muito para além do horário normal tal a sobrecarga de trabalho. Cada vez que marcava férias tinha de as alterar porque lhe marcavam compromissos para os períodos em que deveria estar de férias.

Andava esgotada e sobretudo muito magoada com a falta de ética de trabalho que cada vez vinha mais ao de cima.

Pensou numa frase que a sua mãe lhe dizia frequentemente:

- “ A dissimulação é uma qualidade quando o excesso de franqueza nos põe em perigo”.

- “Não se trata de excesso de franqueza, não sou capaz de ser dissimulada, de dizer que concordo quando se está a cair em erros sucessivos”. Pensava a Eva enquanto se lembrava de uma cena deveras desagradável que tinha vivido, na última semana, e no seguimento da qual tinha redigido a sua carta de demissão.

Não a tinha, ainda, entregado, porque alguém da entidade para a qual trabalhava se tinha apercebido da situação e lhe tinha pedido calma e mais algum tempo.

Era-lhe difícil manter a calma perante tanta tacanhez de espírito, mas a Eva sentia-se mais tranquila, apesar da noite não dormida, ia deixar passar mais algum tempo, mas se as coisas não mudassem quem se mudava era ela. Nunca tinha tido medo de ir à luta e não era agora que ia começar a ter medo de dizer o que pensava.

_____________________________________________________________________________________

Um abraço do tamnaho do mundo e deixem-se ouvir.
Ana

3 comentários:

09virgilio disse...

O Tempo... a porra do tempo (desculpa o termo Ana), tudo o tempo muda! Tive pouco tempo para escrever a tua (nossa) história, (mais uma vez peço desculpa). Tão pouco tempo para tantas lutas e ver que cada vez são menos quem tem de fazer mais! Dar de nós (a quem está habituado) não custa, mas custa olhar para o lado e ver que estamos sós, de tal forma que para defender os outros (tantos plenários!!!) nos convencemos que não existimos! Estou numa espiral de frustração pessoal, mas de revolta colectiva! E não tenho tempo para as duas coisas... tanta luta e vida perdida!

Ana Fernandes disse...

Viva Virgilio,

Já tinha pensado ligar-te para saber de ti porque através do teu Blogge me tinha apercebido que não estarias bem.

A mim também me doi sentir que a maioria dos portugueses pensa que é uma sorte ter emprego e que o melhor é estar calado para não o perder. Doi-me mais, ainda, quando oiço pessoas com responsabilidade usarem esse mesmo argumento para justificar coisas menos correctas que se passam nas organizações.

SE me é permitido dar-te um conselho vai com calma e tenta dar a tal volta de 360º graus que uma pessoa com a tua "genica" e as tuas habilitações merece.

Tentei agora, no nosso Blogge, iniciar um outro ciclo com "Histórias da Vida" em que através de personagens ficcionadas se relatem, se contem as histórias de vida que nós conhecemos. Espero que todo o grupo ganhe nova alma e participe.

Sinto que a frustação se instalou, no grupo, porque talvez nos tenham sido criadas expectativas de que com o curso que todos juntos fizemos, teríamos mais algumas expectativas de trabalho.

Tal como eu referi na conclusão do curso eu, fui perdendo essas expectativas durante o decurso do mesmo. Mas mesmo que o que eu sinto seja o sentimento comum penso que é uma pena desperdiçarmos um capital tão rico de amizade e de conhecimento.

Dou por mim, quando passo no Chiado, a lembrar-me dos nossos almoços de sábado. Não tenho saudades do curso mas sim de todos Vós.

Um abraço cheio de saudade.
Ana

efernandes disse...

olá Ana, Olá Virgílio, olá a tod@s!
Sinto como vós, uma "pequena" frustração pelo facto de, tanto termos prometido e pouco conseguido.
Estou satisfeito porque estive com um Amigo na reunião plenária de Sindicatos, aquela que decidiu e tornou pública a próxima Greve geral. Estive com o Virgílio. Já o tinha "topado" lá de cima e aproveitei depois do almoço para lhe dar um grito e chamá-lo.
É bom rever AMIGOS!
Abraço a tod@s
EF

Passeio BTT Aboboreiras