quarta-feira, 16 de março de 2011

Os meus Poetas ........

TELEGRAMA

Camaradas,cá vou sempre a cantar!
Os mesmos versos, mas com mais coragem.
Além de vós, além de mim, é o lar
Onde se aquece o frio da viagem.

Camaradas, prossigo,
Não sei se doido se ressuscitado.
Mas perdido ou liberto, vai comigo
O poema cantado!

Miguel Torga – Diário 1945

terça-feira, 15 de março de 2011

Os meus poetas..... Eu queria.....

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.

Alberto Caeiro- "Poemas Inconjuntos"

sábado, 12 de março de 2011

Histórias de Vida – Os meus/nossos TSUNAMIS

A Eva não se conformava com o estado a que Portugal tinha chegado. Não sabia se era, também, devido ao Inverno rigoroso, das notícias da televisão, do cinismo da classe política, da tragédia no Japão, ou sobre as pequenas tragédias de que ia tomando conhecimento no dia a dia, mas tinha-se-lhe fixado uma dor no peito que não havia meio de passar.

Todos os dias tomava conhecimento das desgraças, dos pequenos TSUNAMIS, que atingiam quem lhe estava próximo e não só.

Na véspera tinha recebido um telefonema de uma amiga que já não via há algum tempo, e o mote voltou a ser a falta de trabalho. A sua amiga a seguir ao fecho da sua empresa e a um problema de saúde, grave, tinha-se reformado, mas como a reforma era baixa, não dava para nada, tinha começado a trabalhar a dias e agora estava sem trabalho.

Sabendo que a Eva trabalhava muitas horas por dia e que precisava de ajuda em casa, propôs-se ajudá-la, mas a Eva embora precisasse de mais ajuda em casa, dada a crise e o medo de voltar a ficar desempregada, não se aventurava a assumir mais compromissos e mais uma vez adiou a decisão de ajudar a sua amiga e a si própria.

Durante a conversa falou-lhe de outra amiga, que também se encontrava sem trabalho e que gostava de falar pessoalmente com a Eva e se possível naquele dia dado que estava perto da sua casa.

A Eva disponibilizou-se a recebê-la em sua casa e durante a conversa a dor no peito aumentou de intensidade. Essa sua amiga tinha estado ligada a um Gabinete de Contabilidade durante alguns, muitos, anos e porque não lhe pagavam o ordenado há mais de um ano resolveu aceitar sair, sem nenhuma indemnização, a troco da carta para o Fundo de Desemprego.

Estava a receber subsídio, mas muito pouco, mesmo muito pouco, e não se conformava com a sua situação de desempregada. Todos os dias respondia a anúncios e enviava curricula mas sem nenhum resultado. Pensou também, ela, que a Eva a poderia ajudar a ultrapassar esta fase.

Mais uma vez a Eva limitou-se a ouvir e a aconselhar a sua amiga a não desistir.
A Eva já tinha passado pela mesma situação da sua amiga e sabia o que ajudava termos alguém com quem falar.

Sentiu, mais uma vez, a dor no peito a aumentar, e lembrou-se de um velho ditado português:

“Elas não matam mas moem”-

“Numa altura em que só se fala das tragédias que se passam nos outros países será que ninguém valoriza os TSUNAMIS que se passam na vida de cada um de nós?” Interrogou-se a Eva.

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Cuidem-se.

Um abraço.
Ana

quinta-feira, 10 de março de 2011

Histórias de Vida ……Angústia

Embora estivesse de férias a Eva não conseguia deixar de se sentir angustiada.

Naquela manhã, num serviço público, tinha assistido mais uma vez à falta de respeito para com os seniores, não por parte dos funcionários, mas sim dos próprios familiares.

Uma sénior, muito sénior, na sua vez, tinha-se aproximado do funcionário e quando estava a começar a expor o seu assunto, não é que a filha, ou outra familiar se voltou para ela e disse-lhe:

- Chegue-se para lá e deixe-me ser eu a falar!

A senhora encolheu-se toda e não disse mais nada.

A Eva cada vez se sentia mais desiludida com tudo o que a rodeava.

- Será que as pessoas estão a deixar de ter sentimentos? Perguntava ela a si própria.

Mas o pior daquele dia ainda estava para vir.

Perto da sua casa, no verão passado, tinha aberto uma casa que para além dos arranjos de roupa se propunha também confeccionar roupa. Pertencia a uma recém desempregada que não querendo parar se propôs constituir o seu próprio negócio. Chamou-lhe “Boutique das Costuras”.

A Eva contactou algumas vezes com a Maria e admirava o seu espírito de luta e a sua tenacidade. Tinha preferido arriscar, após o seu posto de trabalho ter sido extinto, criar o seu posto de trabalho, dado que o que iria receber do Fundo de Desemprego era insuficiente para se sustentar.

Para além da confecção da roupa também engomava roupa para fora. Tinha para além do seu posto de trabalho constituído mais dois. Tinha contratado duas modistas.

Quando a Eva se dirigia para casa, à noite, já tarde, lá estava ela em arrumações e não raro convidada a Eva a entrar e mostrava-lhe as últimas revistas de moda.

Nos últimos tempos a Eva via a casa fechada e naquele dia resolveu perguntar a uma amiga se sabia o que tinha acontecido à Maria.

- Morreu! Não soubeste?

- Não. Quando e como foi?

- Ouvi dizer que andava muito enervada, os clientes eram poucos e as contas muitas, naquele dia tinha tido um dia stressante, foi para casa sentiu-se mal, chamou uma vizinha e quando o INEM chegou já estava em coma profundo.

- Tinha 53 anos !!!!

A Eva sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés.

- Como é que indo todos os dias ao café, ao lado da loja, ninguém tinha comentado nada com ela?

- Como é que morre alguém e não se dá importância a isso?

Ficou a saber que vivia sozinha e que segundo o que a sua amiga sabia não tinha familiares.

A Eva não conteve as lágrimas. País RASCA este em que não se dá valor a nada.
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Cuidem-se.
Um abraço do tamnho do mundo.
Ana

domingo, 6 de março de 2011

Os meus Poetas........

De que Serve a Bondade

De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não -livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?


Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertold Brecht,
'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'

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sábado, 5 de março de 2011

Os meus poetas....

CHUVA

Chove um grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.

Chove, grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer….

Miguel Torga Diário -Março 1943

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Um abraço
Ana Fernandes

terça-feira, 1 de março de 2011

Saltitante......

POis foi Egidio o Virgilio tem razão. Criaste uma naimação toda saltitante.

Serão, ainda, reminiscências dos Power Points do Ulisses?

Um abraço
Ana

Passeio BTT Aboboreiras