terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mas...Novamente


Amigos, já o expressei nos comentários e volto a fazê-lo aqui. Aquilo que fizeram ao Amigo Egídio, não se faz. É uma desconsideração pela pessoa, mas também pelo "formador".


Mas... peço desculpa pelo afastamento mas acreditem, o trabalho tem apertado muito e muito.

Apesar do IBJC, nunca me ter dito nada, apesar de no início me terem dito que a CGTP tinha muita necessidade de formadores para a região centro (interior), mas...nada.


Hoje marquei as minhas férias, penso que merecidas, e o meu pensamento foi novamente para um jantar que já por diversas vezes esteve para acontecer, mas... nada. Desta vez, e quando chegar o SOL, eu e o Luís marcaremos um jantar tipicamente beirão para que quiser. Nem que sejamos os mesmos sempre disponíveis, mas o jantar vai ocorrer.

Bem prometo vir novamente e com mais tempo.


Ah.... um beijo para a Ana pelos magníficos poetas que nos deixa. E um abraço para todos vós..

Jaime Matos

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

" Os meus poetas"........

Não me Peçam Razões...


Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago em "Os Poemas Possíveis"

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Um abraço
Ana

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma Experiência que chega ao fim...

Amig@s,
Há tempos que não passava por aqui mas tenho lido com todo o gosto as histórias da História que a Ana nos vai contando...
O trabalho a "triplicar" que tenho tido não me tem deixado mnuito tempo, embora isso não sirva de desculpa, confesso.
Da minha parca experiência de formador (50 horas, 50 sessões) com aqueles rapazes e raparigas que vos falei há tempos e apesar de no início ter tido alguma (muita) angustia com aquele processo de gente sem qualquer tipo de interesse por algo, e apesar da primeira avaliação se ter ficado apenas positivo para 1/3 dos participantes, fui conseguindo passo a passo, confesso que com dose de paciência redobrada e também porque alguns desistiram, fazer subir VERTIGINOSAMENTE a turma em interesse e consequentemente na segunda e terceira avaliações. Claro que não estou a falar de pessoas normais mas, considero muito significativa a evolução que venho a verificar. Os 3 Manuais que elaborei deram-me também algum suporte para poder exigir uma atitude mais concertada.

Mas a surpresa aconteceu inesperadamente.
Há umas semanas atrás, depois de um teste em que formandos e formador estavam a fazer considerações sobre o mesmo, sou chamado aos serviços administrativos para atender um telefonema urgente de Lisboa da Directora pedagógica.
A conversa não podia ser mais directa, aliás, feita da mesma forma que lha ordenaram, assim:
Egídio, a partir de hoje você termina a formação para nós! Perguntei se havia alguma causa e a resposta foi também directa: De todos os pontos de vista quer técnicos, quer pessoais não há nada a dizer, antes pelo contrário. Deram-me a informação de que lhe deveria dizer que são ordens do Matos Cristovão e do Álvaro Domingos. Bem...Sem que eu soubesse o que essa gente tem a ver com a formação, ainda perguntei quem são eles porque eu sei quem são, e me disseram que são da Administração do Centro de formação. Pena eu não ter sabido isso antes.
Quem são esses perguntarão vocês... São indivíduos, funcionários da EDP que no tempo do Cavaquismo fundaram um Pseudo-sindicato com dinheiros da EDP e que obviamente pertenciam ou ainda pertencem aos tsd, naturalmente em oposição de fase aos Sindicatos da CGTP.Essa gente que entretanto perdeu toda a expressão na representação de trabalhadores na EDP e na EDA, dedicou-se à formação (negócio chorudo e com intenções duvidosas nas suas ligações aos PALOP), para levarem a vidinha fora da empresa utilizando os tempos sindicais para essa tal vidinha.
Consultando a Internet verifiquei de facto a quem pertencia aquele Centro de formação.

Enfim...fui despedido sem qualquer justificação e aqueles "putos" ficarão entregues sabe-se lá a quem...
É esta gente que tendo este poder, esmaga quem quer...Imagine-se só, aqueles que fazem da formação a sua actividade profissional principal, os "sapos" que terão que engolir vivos.

Assim vai a formação no país de Cavaco e Sócrates.

Um Grande Abraço para tod@s
Egídio

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Histórias de vida - Sobreviver é preciso….

A Eva estava decidida a falar com a Mª José. Não fazia sentido continuar preocupada.

A Mª José parecia-lhe bem mas a rua não era sítio para ninguém viver e embora não fosse rica a Eva sempre podia ajudar, contribuindo com algum dinheiro para a comida.

Naquela manhã tomou a direcção da Praça onde a Mª José costumava, agora, dormir. Viu-a a brincar com o cãozinho em cima do saco cama.

A Eva parou deu-lhe os bons dias, a Mª José voltou-se, e, desta vez , não desviou o olhar respondendo-lhe , também, com um bom dia.

- Como vai não a tenho visto?

- Tenta-se sobreviver.

- Consegue dormir?

- Aos bocados, mas sempre alerta por causa dos perigos que são muitos, nem calcula o que se passa nas ruas à noite.

A Eva insistiu, embora com algum receio, nas perguntas e respostas habituais ,que se podiam resumir em lembrar à Mª José que não devia de desistir, que devia continuar a lutar para sair da rua.

A Mª José respondeu-lhe que não, que não desistia que continuava a tentar obter o rendimento de inserção, visto que até tinha trabalhado durante alguns anos, para conseguir obter um espaço para morar onde pudesse ter o cãozinho consigo.

Referiu, ainda que não havia um abrigo, nem um, que lhe permitisse entrar com o cão, que até é dos pequeninos e que por isso tinha de continuar a dormir na rua.

Conversaram ainda um bocado e a Eva perguntou-lhe se já tinha tomado o pequeno - almoço.

A Mª José respondeu-lhe com um não se incomode e um encolher de ombros.

A Eva entregou-lhe todas as moedas que tinha na carteira e, admirou-se como é que alguém com uma vida tão dura ainda conseguia sorrir com doçura.

- Que Deus a ajude e a abençoe foi a frase que ouviu quando disse que não era para agradecer e que só lamentava não a poder ajudar mais.

Olhou para trás e a Mª José já estava a arrumar a sua casa, a deixar livre a sua porta de loja, não sem antes ter posto a capa no cãozinho para o proteger do frio !!!!!

A Eva lembrou-se então de outro sem abrigo com quem também costumava conversar. noutro lado da Baixa, a quem há falta de saber o nome se habituara, mentalmente, a tratar por Latinhas , e que entretanto tinha conseguido sair da rua .

- O que seria feito dele?

A Eva sorriu ao lembrar-se da flor, feita de lata, que ele lhe tinha oferecido um dia, depois das, muitas, manhãs em que conversaram , sempre, um bocadinho, sobre a vida dele e que enfeitava, agora, a sua secretária.

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Um abraço e deixem-se ouvir

Ana

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os meus Poetas.......

A vida... e a gente põe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os filósofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os teólogos não entenderam na solidão das celas. Nisto, ou então na conta do sapateiro, na degradação moral do século, ou na triste pequenez de tudo, a começar por nós.
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.
A vida é o que eu estou a ver: uma manhã majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crianças — um rapaz e uma rapariga — silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar.

Miguel Torga – Diário 27/12/1941

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Um abraço Ana

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Histórias de vida ......

A Eva sentia-se muito mas mesmo muito cansada. O mês de Janeiro tinha sido terrível em termos de trabalho e o de Fevereiro ainda se avizinhava pior. Pensava em tudo isto quando às oito e meia da noite se dirigia para a estação do Rossio para apanhar o comboio para casa .

Estava tão cansada que nem lhe apetecia olhar para as montras e nem se apercebia do que a rodeava. Sentia-se alheada apenas com uma ideia determinada: chegar o mais depressa possível a casa e ir dormir.

Tomou o caminho habitual e mais uma vez pensou que rara era a vez que passava por aquele local que não pensasse na Mª José e no seu cãozinho. Há já algum tempo que não a via, nem mesmo no local onde costumava dormir. Como estariam?

Olhou e ao longe pareceu-lhe ver um sem abrigo no sítio da “casa “ da Mª José. Quando se aproximou viu que afinal a Mª José tinha um ou uma vizinha e não pôde deixar de se enternecer com a cena que viu.

A Mª José já tinha a sua cama feita, o saco cama até tinha dobra, como se faz quando se abre a cama em nossa casa, e, estava de joelhos, de costas voltadas para os transeuntes a dar biscoitos ao seu cãozinho que estava deitado com uma mantinha por cima.
Na montra ao lado estava outro, ou outra sem abrigo já a dormir completamente tapado/a.

A Eva sentiu vontade de perguntar à Mª José como ia, mas conteve-se. A oportunidade havia de chegar. A Eva já tinha reparado que a Mª José tinha os seus momentos e que gostava de ser ela a provocar a aproximação e que não gostava que as outras pessoas interferissem na sua vida.

A Eva antes de se afastar olhou, mais uma vez, e reparou que ao lado do saco com comida estava uma chávena com café ….. solidariedade …… quem sabe?

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Um abraço
Ana

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os meus poetas...ps meus poemas...

Agora Mesmo

Está gente a morrer agora mesmo em qualquer lado
Está gente a morrer e nós também

Está gente a despedir-se sem saber que para
Sempre
Este som já passou Este gesto também
Ninguém se banha duas vezes no mesmo instante
Tu próprio te despedes de ti próprio
Não és o mesmo que escreveu o verso atrás
Já estás diferente neste verso e vais com ele

Os amantes agarram-se desesperadamente
Eis como se beijam e mordem e por vezes choram
Mais do que ninguém eles sabem que estão a
[despedir-se

A Terra gira e nós também A Terra morre e nós
Também
Não é possível parar o turbilhão
Há um ciclone invisível em cada instante
Os pássaros voam sobre a própria despedida
As folhas vão-se e nós
Também
Não é vento É movimento fluir do tempo amor e morte
Agora mesmo e para todo o sempre
Ámen

“Manuel Alegre - "Chegar Aqui"

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Um abraço
Ana

Passeio BTT Aboboreiras