Pagina oficial de Um Grupo Excepcional de Aprendentes e Formadores que têm em comum a AMIZADE e a SOLIDARIEDADE
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Histórias de Vida – Uma pequena esperança
Acordou naquela manhã a pensar numa frase que não lhe saía da cabeça;
- "Uma pequena esperança, mesmo uma esperança sem esperança, não prejudica ninguém."
Lera-a há muito tempo, num livro de um dos seus autores favoritos John Steinbeck e, não lhe saía do pensamento, -" deve ser devido ao estado do nosso País" - pensava ela nessa manhã chuvosa.
Voltou a lembrar-se dela, quando, às sete horas da manhã, reparou que já estava um vendedor, na estação de caminhos de ferro, a oferecer guarda chuvas.
Veio-lhe à memória, durante o dia, quando reparou na quantidade de vendedores de guarda chuvas que tinham "invadido" a Baixa.
Lembrou-se dela à noite quando, com um sorriso,respondeu, às nove da noite, que não obrigada, não precisava de chapéu-de-chuva, ao mesmo vendedor que tinha encontrado às sete horas da manhã desse dia.
É apesar desta " crise" enquanto à vida há esperança pensou pouco antes de adormecer.
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Um abraço do tamanho do mundo.
Ana
Ps - Um dia destes julgo ter visto, na televisão, o Luis a cuidar de feridos dum acidente.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Os meus POETAS.........
Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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Um abraço
Ana
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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Um abraço
Ana
sábado, 26 de janeiro de 2013
Os meus POETAS.....
Exorcismo
Canto
O meu desencanto.
Este cansaço
Lasso
De tudo quanto,
Esta melancolia
Penitente
De quem sente
Que luta e que porfia
Inutilmente.
Esta baça impressão
De que nada vale.
Esta tristeza triste
Que resiste
Às razões da razão inconformada.
Miguel Torga – Diário
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Um abraço Ana
Canto
O meu desencanto.
Este cansaço
Lasso
De tudo quanto,
Esta melancolia
Penitente
De quem sente
Que luta e que porfia
Inutilmente.
Esta baça impressão
De que nada vale.
Esta tristeza triste
Que resiste
Às razões da razão inconformada.
Miguel Torga – Diário
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Um abraço Ana
sábado, 19 de janeiro de 2013
Os meus POETAS.......
“- Lavro aqui mais uma vez o meu protesto contra toda esta filosofia do pessimismo que nos sufoca, e esta literatura do absurdo que nos liquida. Nenhum argumento nem nenhum sortilégio podem apagar no espírito do homem a luz de ilusão que ali bruxuleia. O erro grosseiro dos ironistas e dos derrotistas é não verem que eles próprios desmentem o visco e as profecias, porque, se lutam, é porque confiam. Sobretudo parece-me uma limitação querer fotografar para a eternidade a face monstruosa de um momento. A Europa pode estar cansada, falida, contaminada por vícios incuráveis, mas a Europa não é o mundo, e ela própria tem ainda pedaços do corpo sem gangrena. Quando todos os analfabetos e famintos que lhe restam tiverem voz e pão, e falem de náusea, quando a herança da história, os bens do espírito forem repartidos igualmente por todos os seus filhos, e o clamor colectivo seja de teimosa renúncia, então sim, soou a hora. Mas antes disso, não!
…….
Há ainda uma poda que é necessário fazer: eliminar da actual angústia que nos atormenta o cinismo que a macula e o parasitismo que a explora. A verdadeira razão e o verdadeiro instinto mandam curar as feridas. Só os mendigos deitam sal nas chagas para as avivar.
Alienação humana! Quem é que autorizou meia dúzia de intelectuais impotentes a falar deste modo em nome da humanidade? A chapinhar na lama deles, e a proclamar que é na lama dos outros? Que o testemunho da nossa aventura na terra é um rosário de traições e injustiças, ninguém o nega; que é preciso que se diga isso de todas as maneiras, é evidente; mas nem tudo o que fizemos foi mau, e estamos a começar ainda.
Não! Há-de haver uma salvação possível neste mar de naufrágios, e vão sendo horas de erguer a voz contra os derrotistas da jangada. Aterrados pelas suas fúnebres ladainhas, temo-nos esquecido de reparar nos acenos do horizonte, onde amanhece sempre uma ilha à nossa espera. Não a ilha solitária de Robinson, que seria o recomeçar inútil duma vida de egoísmo e de esterilidade, mas o húmus generoso dum novo mundo onde se possa semear a esperança.”
Miguel Torga – Diário Volumes V a VIII (08/02/1951)
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Um abraço
Ana
domingo, 13 de janeiro de 2013
Os meus POETAS ....
LIBERDADE
- Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
- Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
- Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome
" Miguel Torga - Poesia Completa"
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Um bom 2013 e um abraço do tamanho do mundo.
Ana
domingo, 2 de dezembro de 2012
"Os meus Poetas ............"
“ A mulher instruída, a mulher emancipada, a mulher equiparada..óptimo, óptimo. Decorridos tantos milénios de equívoco e dissimulação – a tutela estratégica da virilidade insegura sofrida passivamente no plano social e repelida activamente no doméstico -, o sol repentino: a parelha edénica, irmanada na decência original, finalmente jungida em boa paz ao mesmo carro da vida. O tirano aflito, consumido, insatisfeito, que naufragava nos mares, caía do espaço, asfixiava nas minas, combatia de armas na mão, criava, investigava e descobria, desobrigado dessas exclusividades – que eram o penhor da sua soberania _, a lamber, também, as montras, fútil e feliz, com metade da carga dos problemas do mundo alijada. Por sua vez, aliviada do mito, a jogar jogo limpo, repesa das maçãs ardilosas do bem e do mal estendidas a boa-fé do Adão eterno, a correr risco de amar fogosamente um homem em vez de escolher apenas o pai dos filhos, obreira entre obreiros, envergonhada dos tempos privilegiados de rainha mestra dum enxame de zângãos, apostados em merecer a honra da selecção do voo nupcial…. A prova do fogo da declaração masculina, abolida, e o certificado físico da virgindade feminina, também. Tudo simples, natural e a meias. Um pacto de não agressão e de colaboração, sem cláusulas secretas, assinado por uma astúcia que pode tirar de vez para sempre a máscara da submissão e mostrar o rosto triunfante, e por uma candura filantrópica, que julga abdicar esclarecidamente dum mando que exercia na ordem precária dos factos, e que nunca lhe pertenceu de direito.”
“ MIGUEL TORGA – DIÁRIOS -1970”
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Um abraço.
Ana
domingo, 25 de novembro de 2012
"Os meus Poetas ".....
CHUVA
Chove um grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer….
Miguel Torga Diário -Março 1943
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Um abraço Ana
Chove um grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer….
Miguel Torga Diário -Março 1943
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Um abraço Ana
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