quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os meus Poetas....

Antes que Seja Tarde


Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca - "Poemas Dispersos"

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Um abraço do tamanho do mundo
Ana

- Por onde andam que não se deixam ouvir?

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Os meus Poetas "........

Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, em "O Nome das Coisas"


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Um abraço
Ana

sábado, 31 de dezembro de 2011

Uma pequena Esperança

Hoje lembrei-me da frase:


"-Uma pequena esperança, mesmo uma esperança sem esperança, não prejudica ninguém."

"John SteinbecK"


Eu acrescento muita ESperança e sobretudo muito Empenhamento e Muita LUTA, para que não percamos tudo aquilo porque lutámos tanto.

Um abraço do tamanho do mundo e um Feliz Ano Novo.

Ana

sábado, 17 de dezembro de 2011

Histórias de Vida – “…. vidas assim…..”




Só se lembrava de se sentir assim no Natal a seguir à morte do seu Pai. Olhava e não via, não queria sentir.

Pensava: - "há que seguir em frente"

Mas a tristeza não lhe dava paz.

Continuava a ir por ruas, caminhos diferentes, para que a monotonia da vida não lhe pesasse ainda mais.

Naquele dia tinha resolvido ir ver o Tejo antes de ir trabalhar e como sempre era muito cedo.

Dirigiu-se, sem saber porquê para a Rua Augusta. A meio da rua avistou um cãozinho a brincar. Pareceu-lhe que o conhecia. É, pois é, era o cãozinho da sem abrigo da Maria José.

Estranhou, parou e olhou a ver se a via. Lá estava ela a sair do seu saco cama, colocado numa montra recuada.

Olhou melhor e reparou que num saco cama ao lado estava a levantar-se um jovem com ar de quem estava há pouco tempo a viver na rua.

Nunca a tinha visto acompanhada. Solidariedade ?? Protecção???

Não tinha que saber, tinha voltado para a rua. Não se lhe dirigiu porque da última vez que tinham conversado ela já estava a trabalhar a dias e agora ao vê-la ali, assim, não sabia o que lhe dizer.

P…. de vida pensou. O que teria acontecido?

No outro dia voltou a passar por lá, ainda mais cedo. E viu o mesmo quadro. A Maria José a dormir no seu saco cama e separados pelos seus haveres, num outro saco cama o mesmo jovem.

Olhou e deu consigo a pensar porque será que há vidas assim?

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Um abraço
Ana

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mais uma vez é...Natal



É Natal.



Como disse Mary Chase: "Natal não é uma data...é um estado da mente".



Caros Amigos, Desculpem.



desculpem por esta falta de consideração e de presença.



Como disse a Ana, à uns tempos "... a vida é dura...".



A vida às vezes torna-se mais atarefada e, quando damos por isso, estamos sem tempo para estar com os amigos e poder disfrutar deles a da sua comp+anhia.



Hoje, passei aqui. Fiquei triste.



Comigo, pois já à muito tempo que não aparecia nem que fosse para dizer olá. Com, os outros pois também poucos aparecem. Lembro-me das pessoas, de todas, mas será que todas se lembram de nós?



Queria neste nosso espaço, desejar para todos um Feliz Natal, com muita Saúde e Paz. Tudo de Bom.



Beijos enormes para a Ana, e um grande abraço, para o Egídio, o Zé, o Nuno, o Virgílio, o Luís e desculpem-me, para todos os outros, que apesar de menos se mantêm por aqui ou por ai.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Os meus Poetas - "Semear a Esperança"


“- Lavro aqui mais uma vez o meu protesto contra toda esta filosofia do pessimismo que nos sufoca, e esta literatura do absurdo que nos liquida. Nenhum argumento nem nenhum sortilégio podem apagar no espírito do homem a luz de ilusão que ali bruxuleia. O erro grosseiro dos ironistas e dos derrotistas é não verem que eles próprios desmentem o visco e as profecias, porque, se lutam, é porque confiam. Sobretudo parece-me uma limitação querer fotografar para a eternidade a face monstruosa de um momento. A Europa pode estar cansada, falida, contaminada por vícios incuráveis, mas a Europa não é o mundo, e ela própria tem ainda pedaços do corpo sem gangrena. Quando todos os analfabetos e famintos que lhe restam tiverem voz e pão, e falem de náusea, quando a herança da história, os bens do espírito forem repartidos igualmente por todos os seus filhos, e o clamor colectivo seja de teimosa renúncia, então sim, soou a hora. Mas antes disso, não!

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Há ainda uma poda que é necessário fazer: eliminar da actual angústia que nos atormenta o cinismo que a macula e o parasitismo que a explora. A verdadeira razão e o verdadeiro instinto mandam curar as feridas. Só os mendigos deitam sal nas chagas para as avivar.

Alienação humana! Quem é que autorizou meia dúzia de intelectuais impotentes a falar deste modo em nome da humanidade? A chapinhar na lama deles, e a proclamar que é na lama dos outros? Que o testemunho da nossa aventura na terra é um rosário de traições e injustiças, ninguém o nega; que é preciso que se diga isso de todas as maneiras, é evidente; mas nem tudo o que fizemos foi mau, e estamos a começar ainda.

Não! Há-de haver uma salvação possível neste mar de naufrágios, e vão sendo horas de erguer a voz contra os derrotistas da jangada. Aterrados pelas suas fúnebres ladainhas, temo-nos esquecido de reparar nos acenos do horizonte, onde amanhece sempre uma ilha à nossa espera. Não a ilha solitária de Robinson, que seria o recomeçar inútil duma vida de egoísmo e de esterilidade, mas o húmus generoso dum novo mundo onde se possa semear a esperança.”


Miguel Torga – Diário Volumes V a VIII (08/02/1951)

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Um abraço do tamanho do mundo.
Ana

Passeio BTT Aboboreiras